Naquela manhã fazia frio, ventos insuportavelmente gelados me tiravam a percepção tátil dos dedos, congelavam-me as orelhas trazendo desconforto e ardência no nariz, ao respirar os ares daquela montanha.
Era julho, ápice do inverno nos vales da região do Jequitinhonha, a expedição havia começado a pouco mais de uma hora; de repente me vi perdido por entre aquela imensidão de areia e arbustos típicos do cerrado.
Parei, olhei para aquela imensidão, cuja vastidão é revelada na impotência dos olhos humanos, o frio cortante do vento logo se tornaria suave na presença de uma de uma doce brisa que se apoderava do meu rosto.
Tentei me orientar pela posição do sol nascente, sabia que estava no cume da montanha, pois já conseguia avistar um bosque denso e úmido cuja função era proteger a grande nascente. Aparentemente, atravessar o bosque era uma boa ideia, mas ao fazê-lo notei que corria perigo... em seu interior havia um grande pântano e sua lama escura formada de vegetais putrefatos, aranhas e uma infinidade de micro-organismos, sem falar de um exército de sanguessugas que já me tiravam o sossego, poderia ser meu martírio.
Avistei por entre os arbustos terra seca e com algum esforço consegui romper uma parede de “navalha de macaco”, típica vegetação de banhado, (capim com potencial para abrir grandes ferimentos), daí o nome. Tive uma nova surpresa ao alcançar a terra seca, uma vasta área cujo solo estava revirado.
Um silêncio inebriante se apoderou do ambiente, nem mesmo o som do canto de um pássaro distante podia ser ouvido, tomado de uma cisma incontrolável subi na árvore mais próxima, uma imbaúba branca, tinha habilidade para estas coisas como todo matuto criado no interior.
